segunda-feira, 7 de novembro de 2016


 “QUEM SABE EU TE ENCONTRO DE NOITE NO BAXO”**

Eu e meu amigo
Vivemos o melhor da vida
Após perda da inocência
Viramos ave da rapina
Águias
Havíamos cruzado um caminho
Adolescência
Paixões, desilusões
Coisas de meninos

Passamos as dores
Inocentes amores
Chegamos a pré-ideia adulta
Aprendemos a loucura
Sonhar, amar
Cabelos longos ao vento
Livres
Viagens e festas
Jovens reunidos
Caminhantes da beira do mar
Em risos soltos
Sem dores pra chorar.

Que saudades do apartamento
Velho sobrado encima do café
O AP do Baxo
Onde reunimos amigos
De guerra,
Festa e fé
Nosso point
Recôndito
Nosso lar
Solar de encontros
Encantos
Lugar de repouso
Esbórnia e sossego
Templo de meditação
Amigos de fuzarca
Risos por toda a noite
Sopa para curar a ressaca.

O melhor da vida
Encontro das namoradas
Amantes queridas
Perdidos e perdidas
Sonhos e cânhamos
Espumantes geladas

Há, nossa pós-inocência
Magnitude
Doce momento da juventude
Que ao descrever chorei
Pelo desaparecer
Por intensamente viver
Reviver
Feliz por passar
E nunca esquecer.
 Ao Maneca e também para os(as) queridos(as) amigos(as) de festas, de mares, de rock e carnavais, de estradas, acampamentos e fogueirinhas de papel. Khan, Didio, Eninho, Lucinha, Aurinha, Verinha, Nara, Rê, Flávia, Carminha e outros(as) que esporadicamente  compartilhavam a companhia.
Beto e Élder (in-memorian)
 ** Élder usou a frase de uma canção de Caetano para definir os encontros no velho sobrado, “quem sabe eu te encontro de noite no Baxo”, Baxo era o meu apelido entre os amigos mais íntimos.
 Jaime Baghá, com saudades.

domingo, 10 de julho de 2016

Terraço do Café na Praça do Fórum - Van Gogh

NOITES

À noite eu sonho adormecido
Mas já sonhei acordado
Olhando as luzes de néon
Caminhando nas noites
Onde respirava vida.

Na louca alegria soturna
Nos bares, nas esquinas
Entre almas noturnas
Onde anjos e demônios
Andam na mesma bruma.

À noite e seus segredos
Sempre a desvendar
Com máscaras sem endereços
Onde queria me perder
Para me encontrar.

Festa em Mahagonny
Onde muitos não têm nome
Entre o devasso e o sério
Das luzes e dos mistérios
Até o triste arrebol.

A noite mistura odores
Caros e baratos
Simples e elegantes
Loucos e lúcidos
Tudo no mesmo prato.

Embaixo da luz caída
Festa de subterrâneos
A noite é simbolista
Onde formas, silhuetas e bosquejos
Dividem a mesma pista.

A noite é novidade
Dos oportunos e desconhecidos
É o outro universo
Da vida que o dia não mostra
A Agharta dos perdidos.

A noite tem muitas faces
É o paraíso de quem sonha
E quando escurece
Nas luzes da babilônia
Outro mundo acontece.

A noite é o místico
Dos labirintos das metrópoles
Dos doces e malditos
Onde agito vivo e ardo
E onde todos são pardos

Aprendi a viver a noite
Das trapaças e logros
E seu delicioso jogo
Assim como Leminski
Fiz-me senhor do fogo.

A cantora é melancólica
O pianista virtuoso
A bailarina hiperbólica
O jazz toca para as almas
O rock é diabólico.

A noite dos inocentes
Dos anjos histéricos
Procurando uma dose
Para aplacar a dor
Para ativar a ira
Para falar de amor

A noite de muitas vidas
Do menino que sonhava
Hoje velho
Estrutura combalida
Vivendo as lembranças
Dos sonhos que sonhava
Nos caminhos da noite
Aonde eu me perdia
Onde eu me encontrava. 

Jaime BagháCom saudades de se perder nas noites.

domingo, 5 de junho de 2016



DÉJÀ VU

Eu ando pelos desvios
Padeço e sobrevivo
Feito cachorro vadio
Não programo meus caminhos
Não traços objetivos
Para não ter de aturar
Elogios familiares
E um babaca empertigado
No meu túmulo discursar.

Não quero ser o exemplo
Queria ser vagabundo
Aproveitar meu pouco tempo
Caminhando pelo mundo.

Sou o Cândido de Voltaire
Nesta miséria humana
Sou o que nada quer
E quem me quer me engana.

Sou o miasma
Que o sangue medra
Louco da divina comédia
Paria dos sociais bandidos
O que na vida anda perdido.

Eu observo os homens
Razão por não querer ter nome
Racional de paixão incompleta
Que me faz maldito poeta.

Eu sou o nada
Uma trapaça
Não quero a grande farsa
Arranco a minha máscara
Exponho a minha carcaça.

Não sou o que machuca o mundo
Que adora o deus absurdo
Que mata a própria espécie
Ora para a utopia
E no paraíso padece.

Sou dos meus iguais o inviso
Senil que não perdeu o juízo
Sem apegos aos objetos
Porque morre e vira dejeto.

Sou o engano
Profundamente humano
Que sofre por ser
Não ser
O que vê
E não quer ver
O não sei...
Eu
O ser...
 Jaime Baghá  - procuras!

Adoro esse olhar blasé que não só já viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.  Cícero






domingo, 15 de maio de 2016


Dançando um Jazz
 Queria estar com você
Dançar “Smoke Gets In Your Eyes”
Como num filme de Woody Allen
Ninguém por perto
Lugar deserto
Num balançar
De passos certos
Paradas e voltas
Cadenciadas
Livre e leve
Como ensaiadas
Olho nos olhos
Sensual
Na beira do mar
Como se tudo
Nunca fosse acabar. 

Jaime Baghá   -  Noite de Jazz, frente ao Bar do Zado no mar da Ferrugem.

sábado, 16 de abril de 2016


O DURO CAMINHO DA DEMOCRACIA
A proposta da direita na sua dura tarefa de se opor ao que esta dando certo é entregar nossa economia ao sistema neoliberal. Ou seja, aumentar os juros da dívida pública e o superávit primário para atender ao secular setor rentista deste país, para depois reduzir salários e os benefícios previdenciários e flexibilizar os contratos de trabalho, destituindo direitos. Haverá privatizações, aumento de tarifas públicas e cortes no orçamento das políticas sociais, abrindo espaço para as empresas privadas ampliarem sua presença no setor. Como anunciado, o novo governo neoliberal para alegria dos entreguistas, assinará tratados de livre-comércio para internacionalizar nossa economia, isto é, abrir o mercado brasileiro ainda mais para as grandes corporações transnacionais, destruindo a indústria nacional como sempre foi feito. Neste caso temos duas direitas, a dos lobos que lucra e a dos imbecis que vão atrás da propaganda enganosa, admirados com aquele homem que se mostra como inteligente, um artífice da família e dos bons costumes. Desde a antiga e rancenta UDN nós vimos pobres tolos e manipulados dando viva ao carrasco.
Eles ainda hoje estão aqui e em maior número, são os pseudos pensantes que desfilam imponentes com seus ódios fascistas, com vivas ao Sr. Friedrich Hayek e o Sr. Ludwig Von Mises, austríacos (aqueles adotados por Reagan e Thatcher na década de 80), defensores do liberalismo clássicos. Mises foi aquele que disse: “o fascismo era o salvador da cultura ocidental”. Estes tupiniquins tolos têm até “filósofos” e grupos chamados Olavettes, que seguem um mistificador barato mestre em escatologia chamado Olavo ou gente que aparece na lista da empresa de “inteligência global” Stratfor, conhecida como “the Shadow Cia”. Estas pessoas e seus grupos são financiados por corporações americanas que atacam direitos indígenas, depredam ambientes e tem um grande interesse na Petrobras, como os Irmãos Koch, que se divertem dizendo que fazem parte da maior campanha do qual você nunca ouviu falar. Estes manipulam jovens tolos brasileiros, fazendo alegria dos vendedores da pátria, representados por uma boa parte dos “políticos” brasileiros, que tem como função manter o país uma colônia, incapaz de fabricar um tubo de pasta de dente, pois, 80% do que temos num supermercado não é nacional, pertencem as multinacionais.
Deveríamos ter aprendido, pois já tivemos um governo neoliberal no Brasil e em vários países da América Latina que seguiram o “Consenso de Washington” e sua proposta de retirada do estado da economia, com abertura econômica, privatizações de estatais e desregulamentação da economia, criando uma sociedade intolerante e reacionária, foi a intervenção do estado contra o bem estar social Keynesiano. Não se importaram estes reacionários que esta situação não funciona em países não desenvolvidos, porque reduz a intervenção e o controle do estado, desta forma o estado nacional perde poder e se torna vulnerável ao capital especulativo e as multinacionais. E o que aconteceu, em pouco tempo instalou-se a crise econômica e social nestes países como o Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, etc...
Apesar de todas estas dificuldades, mudou a política e o brasileiro passou para melhor do que antes, há mais empregos, seu salário melhorou, as políticas sociais melhoraram, um número muito superior de pessoas ingressou nas faculdades. A novidade não esta no andar de cima, com seu consumo de elite, a novidade esta no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa, gerando emprego e bem-estar, esta situação implicou na redução do ganho dos rentistas que especulam e ganham sem trabalhar. Neste caso a economia vai mal para quem? Para os mesmos especuladores entreguistas de sempre que só querem ganhar com papéis.
É a luta do liberal versus o desenvolvimentista, os valores do estado mínimo versus o do Estado de bem-estar, esta turma do bem estar não esta feliz porque na virada deste século o Brasil teve importantes progressos sociais com distribuição de rendas, diminuiu as desigualdades sociais, aumento de consumo das famílias e redução da miséria extrema. Tivemos um grande aumento de empregos formais, a taxa de desemprego caiu de e o valor do salário mínimo aumentou mais de 70% acima da inflação, os gastos com educação dobraram. Todos esses foram fatores determinantes para a redução das desigualdades sociais.
A economia cresceu e simultaneamente distribuiu renda, fato inédito nos últimos cinquenta anos.  Caminhou-se no sentido da construção de um modelo econômico menos perverso que o padrão histórico do Brasil. Foi aberta uma nova etapa de lutas contra a doutrina neoliberal, mas apesar disso o Brasil esta muito aquém de superar e virar a página do neoliberalismo e acabar com o entreguismo histórico, motivo pelo qual esta aí um número vergonhoso de golpistas levando o país para um retrocesso.
Perry Anderson, professos da UCLA (Universidade da Califórnia e editor da New Left Review), sinaliza que o neoliberalismo segue aprofundando seu poder no mundo, mas os governos progressistas da América do Sul mostraram uma esperança que não existe em nenhum outro lugar e em sua visão, o Brasil estava na linha de frente desse processo de abrir frestas no contra fluxo da ideologia perversa e mundialmente dominante. 
Para alguns que pensam que as bolsas famílias vêm de governos socialistas ou de programas elaborados por economistas de esquerda estão muito enganados, isto vem das chamadas CCT (conditional Cash Trasnfer Programs), este programa tem caráter liberal clássico. Estas “garantias’ de rendas mínimas” foram propostas inicialmente por Frederich Hayek (premiado em economia mundial), economista da Escola Austríaca, e posteriormente por Milton Friedman, americano, teórico do liberalismo econômico e respeitado economista do século XX (o certo é que Milton preferia a caridade, mas, o programa não deixava dúvida da sua eficiência). Com o neoliberalismo estes programas serviram como um campo de provas em muitos países da América Latina e hoje estão em mais de trinta países em outros continentes, segundo o Banco Mundial, porém a grande vedete foi o programa brasileiro. Diante da vitória da ideologia é preciso encarar o óbvio, programas dessa natureza aliviam as situações críticas de vulnerabilidade e fome.
Mesmo com o sucesso dos planos nas quais os neoliberais torcem o nariz, o Brasil ainda permanece entre as vinte nações com maior desigualdade de renda do mundo. A secular concentração de riqueza no campo brasileiro continua intocada e o tema da reforma agrária ainda é atual. Ainda é muito complicada a luta contra desmatamentos, preservação de reservas indígenas e exploração de todos os lados, e ainda empurrar esse imenso paquiderme chamado governo, carcomido por interesses de grandes grupos agarrados por todas as partes. É um eterno cavalo de batalha contra a corrupção, que a direita cinicamente e de vez em quando apresenta propostas de dar vergonha.  Que soberba lição de ética nos deu Jânio Quadros com sua “vassourinha”, os carrancudos militares na sua ditadura controlados pelos grupos financeiros, o caçador de marajás de Alagoas e Fernando Henrique Cardoso que implantou a nefasta política neoliberal e suas privatizações. A direita, para travar os avanços, apela para elevados sentimentos de ética, procura culpar o outro e tapar o sol com a peneira de seus grandes roubos, o que pode gerar confusão no tolo tradicional e inflamado pela mídia comparsa, fazem barulho, mas não constroem alternativas, sua alternativa é sempre o golpe na democracia.
O número de municípios no Brasil com IDHM (índice de desenvolvimento humano), passou de 0 para 134 e atingiu 1993 municípios. A esperança de vida ao nascer passou de 64,7 para 73,9 os saudosos da ditadura, entreguistas e o pessoal da mídia golpista e da oposição tem hoje em média dez anos de vida a mais para protestar contra a democracia. A educação na porcentagem de adultos com mais de 18 anos que tinham concluído o ensino fundamental, passou de 30,1 para 54,9 já a população mais jovem passou de 13% para 41%. A renda mensal per capita, passamos de 0,647 para 0,739 no período que representou um aumento de R$ 346,00. Isto é pouco para quem tem muito, mas, para uma família pobre de quatro pessoas, aumentar em mais de R$ 1000,00 a renda muda muito a vida.
Entre os países dos Brics, o Brasil apresenta o perfil de progresso social mais forte e equilibrado e por incrível que pareça os Estados Unidos estão recuando para uma maior desigualdade nos últimos anos, gerando danos ambientais muito elevados. Enquanto isso o Brasil progrediu, o que explica os números muito semelhantes da tabela: 75,96 para os Estados Unidos e 75,78 para o Brasil. O Brasil caminha hoje na redução da desigualdade enquanto o mundo esta atingindo limites insustentáveis, esta é a razão do imenso sucesso do livro de Thomas Piketty (e o segredo dos ricos), economista francês que se tornou destaque no meio acadêmico internacional com seu livro “O Capital no século XXI” (vide meu blog (www.devaneiosdobagha.blogspot.com)”.
Vergonhosamente temos a notícia de que 85 pessoas acumularam mais riqueza do que a metade mais pobre da população mundial e a revista Forbs mostram os principais bilionários brasileiros e a origem de suas fortunas. São banqueiros com concessões públicas, com carta patente para trabalhar com dinheiro público, donos dos meios de comunicação, amparada por governantes de sua escolha e protegendo suas falcatruas,  construtoras que trabalham com contratos públicos nas condições que tão bem conhecemos,  exploração de recursos naturais  que mais extraem do que produzem.
Este é o país que vivia em crises financeiras e de maneira rotineira fazendo acordos com o FMI para evitar a quebra de sua economia. Mas, a partir dos anos 2000 o Brasil passou de devedor para credor do FMI, tendo resolvido o problema da dívida externa que implicava deslocar ao exterior parcelas dos fluxos de renda interna gerada. 
Esta diferença no desenvolvimento não é uma visão de técnicos e economistas da América Latina, isto tem o apadrinhamento de Michael Porter, professor da Harvard Business Scholl que tem interesse nas áreas de Administração e Economia, com diversos livros sobre estratégia e competitividade. Muitos destes dados que ora escrevo são da publicação do Le Monde Francês e outros jornais e revistas de jornalistas independentes, outras literaturas e dados do professor de economia da Unicamp Eduardo Fagnani e do professor e economista da PUC-SP e consultor de várias agência das Nações Unidas, Ladislau Dowbor .
Acho que com todas estas informações com figuras de renomes internacionais, coberto da maior autoridade, clareza e uma verdade inconfundível das informações, mostram claramente a nossa situação.  Logicamente que eu e todos os brasileiros de baixa renda sentiram e viram a significativa mudança em nossas vidas. Se não houver mais mudanças poderemos trocar a cada quatro anos, sem tentar colocar defeito só porque uma minoria de sanguessugas da sociedade quer que exista defeito para se autobeneficiar. 
Fico pensando como pode ainda uma grande parcela da sociedade deixar se manipular, ser comparsa de um golpe no país, insistir em colocar no poder pessoas sem nenhum  caráter e comprometimento com a nação. Alguns eu sei que é por ignorância e outros por conveniências, porém sonho com o dia em que a unanimidade ache o caminho certo para que todo o processo tenha um impulso mais sólido, para nos livrarmos dos grupos vende pátria, empresários manipuladores e suas confrarias, multinacionais e corporações criminosas, juízes de mau caráter com suas togas conspurcadas, policiais covardes, comparsas de políticos mau caráter, meios de comunicação gananciosos, foras da lei a trabalho de um crime organizado posando de elite. Se nos livrarmos desta peste saída de um conto de Camus, poderemos sonhar viver e ver o Brasil realmente como uma grande e próspera nação. 
Jaime Baghá
País cruel e ingrato com os seus filhos que não são hijos de puta. Explico-me: o Brasil maltrata e despreza quem pensa e atua a favor do seu povo. Em contrapartida elogia, badala, paparica, consagra o venal, o canalha, o picareta, o escroque, o vende pátria”. Gilberto Felisberto Vasconcellos

quarta-feira, 16 de março de 2016



O que pode a arte num mundo fascista

vivemos numa ferida aberta.
somos os pequenos vermes de deus.
vivemos em guetos que deveriam ser comunidades,
campos de extermínio do corpo e da consciência
que deveriam ser hospitais e escolas.
vivemos em bunkers
que deveriam ser casas, encaixotados antes de morrer
ou admirando gramados amplos com nossas visões estreitas.

a guernica de picasso foi ampliada,
escapou da tela, ganhou o mundo.
moramos dentro de guernica,
e o bombardeio não para.
touros gritam, cavalos enlouquecem, vulcões acordam,
corpos são despedaçados, prédios queimam,
pássaros morrem,
o tempo todo mulheres choram sobre filhos mortos.

o tom geral é cinza,
a noite impera,
violenta.

há sempre um sujeito
que entra pela porta com uma lâmpada na mão
e ilumina a cena.
o que ele segura firme em sua mão é a arte.
eis o papel da luz: iluminar.
deixar ver, não ocultar o monstro.
e o monstro somos nós e nossos nós.

falamos de nazismos e de fascismos
como ficções doutro tempo
só pra esconder
o óbvio de que estamos dentro dele.

nós fizemos e fazemos todo dia esses fascismos.
levantamos muros contra os outros,
fingimos não ver os muros que levantam contra nós.
fingimos não ouvir o carregamento de pedras chegando.
fingimos não ouvir os pedreiros trabalhando, gritando,
e todos os ruídos que vêm de fora.
fingimos, fingimos: não somos poetas.

usamos no braço direito uma estrela,
no esquerdo uma suástica.
e não sabemos.

ferimos mulheres crianças negros índios
cães surdos cegos velhos gays
lésbicas fanhos albinos
e de vez em quando alguém com um sotaque esquisito.

ferimos qualquer signo que nos estranhe,
qualquer signo áspero
que não seja música aos nossos ouvidos.

ferimos o passado e o presente,
ameaçamos o futuro a cada novo dia.

ferimos a possibilidade da liberdade alheia
com nosso direito falso,
nossa falsa filosofia e a pirotecnia falsa
do que deveria ser literatura, cinema, poesia, música.

covardemente maquiamos o monstro,
escondemos o horror, fingimos não haver guernica.

nosso medo granítico não deixa a luz passar.
mas lá está o sujeito com a luz na mão,
ele entra pela porta sem pedir licença,
sem pedir licença ilumina o inferno.

eis a função da luz: revelar. re-velar.
iluminar de novo e de novo, fazer re-ver.
para isso, para nada.
porque mais vale o inútil do fazer
do que o inútil do não-fazer.

arte como instinto puro.
casamento pleno do sublime com o grotesco.
sem cartilhas ou regras.
sem travas, sem papas, sem línguas.

a arte não possui função social.
a função da arte é essencial.
é ser o que só ela pode ser,
a última trincheira.
comunicação entre essências,
comunicação duma nova experiência.

a arte sobrevive à mudança de políticas,
mudanças linguísticas, ideológicas.
quando todas as opiniões passaram
ela permanece.
quando os sonhos absurdos e ridículos do artista já morreram
o que o atravessou permanece vivo.

os poemas nas cavernas.
a capela profana de michelangelo.
os fractais de picasso.
os noturnos iluminados de chopin.
a flauta carbônica de maiakóvski.
o ronco baixo de gregor samsa.
a jangada viva dos mortos de alberto lins caldas.
a terra desolada.
yorick na mão de hamlet.

tudo extremamente humano e revelador e necessário.
consciência trazida à tona,
revelação duma experiência única.

re-ver. re-ter. re-ler.

a função da arte não é social, é essencial.
não comunicar ideologias do momento.
não repetir o senso comum da pobre mídia rica.
não reduplicar memes mentiras memórias.
não assoviar enquanto dilaceram corpos na esquina.
não apagar a chama antes de entrar na sala.
não ajoelhar e ruminar a cantilena junto com a manada.
não acreditar no sentido do cardume.
não concordar com o cardume.
não acreditar que exista o cardume.
não podemos nos dar o luxo de pararmos de criar.
não podemos nos dar o luxo de não iluminar o inferno.

o sincronismo não nos dá esse bônus.
o monocromatismo do cardume é fascista.
o monocromatismo do cardume
é o que desejam os assassinos de rimbaud e de van gogh.
o monocromatismo do cardume é menos desejável que a morte.
deixar ver é a função da arte.

ensaiar um ensaio sobre a cegueira.
estudar a anatomia da máquina tribal.
olhar para trás enquanto se caminha
e ver a paisagem se desfazendo sem o nosso olhar.

somos máquinas de significação.
mas o que significamos
deve ter o selo da indignação.
não perder o tom da indignação, o dom da indignação.
não se perder na pirotecnia e nos conchavos do cardume.
não se perder
nas políticas misticismos modismos
e outras quinquilharias invasoras.

a função da arte é essencial.
ressignificar.
dar ao outro a possibilidade de ver.
permitir ver.
inventar linguagens.
fazer poesia depois de auschwitz.
a poesia só é possível depois de auschwitz.
fazer poesia porque auschwitz.

não repetir, não submeter ou submeter-se,
não ruminar a ladainha, não dizer amém.
inventar linguagens,
plantar sementes de linguagem,
inventar línguas.
iluminar o inferno,
o grotesco, o injusto, o totalitário,
o monocromatismo do cardume.

tocar enquanto o prédio desaba.
tocar enquanto afunda o barco.
todo barco afunda.
todo prédio desaba.
tocar enquanto há dedos.
iluminar enquanto há olhos.

não perder a capacidade de se indignar
e ver as dilacerações do mundo.
para isso, para nada.
porque sim.
porque é belo
e é grotesco.

porque guernica cresceu e devorou o mundo.
porque talvez o mundo sempre tenha sido guernica.
porque talvez o mundo ainda não tenha sido, nascido, aflorado.

o artista com o fogo roubado dos deuses.
o artista com a loucura necessária.
o artista com a chama
já lhe tocando os dedos os olhos a língua.
o artista como aquele que revela a cena.
não o maquiador do monstro.
não o camareiro dos idiotas de plantão.
não o subalterno lambedor de botas.
não o funcionário da burrice prepotente.
não o afiador de facas do torturador.
não o estilista do capeta.
não o tocador de realejo da praça de guerra.
não a manicure do carrasco.
não o advogado da perfídia.
não o coçador de costas oficial do filho da puta do momento.

o artista sem momento.
o artista sem patrão e sem limites.
o artista simplesmente
como o sujeito que entra de repente e ilumina a cena e revela a máquina
monstruosa triturando tudo.
porque sim. por que não?

construímos guetos
e muros de medo em volta de guetos.
construímos campos de extermínio do corpo e da consciência
como se não houvesse dor suficiente.
habitamos bunkers e afiamos facas
sonhando com a carne alheia,
admirando gramados amplos com nossas visões estreitas.
vivemos numa ferida aberta.
somos os pequenos vermes de deus.
somos deus – esse pequeno verme.
mas lá vem de novo o sujeito com a luz na mão.
ele entra sem pedir licença
e ilumina a cena.

Carlos Moreira

Sds. Jaime Baghá Para um amigo fascista que na ignorância pensa que é libertador.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Criança geopolítica observando o nascimento do homem novo - Salvador Dalí

A CRÍTICA E A PRÁTICA

Caro amigo, vi teu belo discurso em defesa dos pobres e fiquei pensando o que significa o pensamento crítico nos dias de hoje? De que maneira essa noção, que outrora identificávamos facilmente com nomes como o de Sartre, dos membros da Escola de Frankfurt, de Frantz Fanon ou também com certos pensadores comprometidos da América Latina; transformou-se (alguns dizem que desapareceu) juntamente com as profundas alterações que o mundo vem sofrendo. Uma transformação que se utilizou de discursos que outrora foram utópicos e de ideais libertadores para hoje colonizar a totalidade do mundo, da vida até seus recônditos mais íntimos, sob a lógica matricial de fetichismo da mercadoria, a verdadeira metafísica do capital. Capital que em comparsa com a mídia e o “Deus Sony” na sala de tua casa, faz com que o novo crítico fale como um libertário, mas não abre mão do acúmulo do vil metal e de certa forma do poder. Como disse Foucault sobre o poder: “e de que outras coisas estão falando, senão de poder?”
Você faz o que prega? Você é tão libertário quanto discursa? Caro amigo, a irracionalidade instrumental do capital, “não apenas cria objetos, mas sim sujeitos para esse objeto” (Horkheimer e Adorno).  Então você tem a luta e o belo discurso em mente; mas, sem sentir que é comandado, vive um quadro social que a sua profissão e sua “posição” exige e esquece a luta. Você pode falar e querer mostrar que sair do capitalismo é o suficiente para conseguir escapar da “jaula de ferro” do capital, isto é um engano. A modernidade, essa lógica cultural do capitalismo, gira sobre a redução do político a política, do crítico a crítica e o sociometabolismo do capital engoliu você e sua própria máquina de pensar. Às vezes você com conhecimento pode até ser um bom crítico, mas cá pra nós, seu discurso é falso, é político, é só para impressionar os miseráveis, amigos de páginas sociais e seus amigos de banquetes. Nesses momentos o capital ainda não continua falando mais alto?
Ainda mais para os jovens mais ambiciosos vindos da tua mesma genealogia. Estes jovens chamam a si mesmo de revolucionário, e até libertário. Porém, nunca leram ou desde os tempos da faculdade não colocaram mais os olhos num livro de Marx, de Hobsbawn, de Gramsci ou Brecht, e nunca ouviram falar de Bauman ou Zizek. Este é o famoso “Marxismo sem proletariado”, que está ocupado demais em acumular riqueza, sobreviver maravilhosamente bem e manter seu status quo. Seu intervencionismo urbano, suas esmolas, suas fotografias fazendo caridade, publicações mostrando uma “moral”. Seu discurso comove seus pares, e mesmo não sendo resplandecente vai formando uma base moral hipócrita da apologia da caridade. Esta é a vil e humilhadora esmola que chega até as colunas sociais.
Bem, tudo isso é para dizer para você que seu discurso filantrópico não combina com você e muito menos com o salário que você paga aos seus funcionários. Às vezes, como amigo, penso que você é bem-vindamente radical, quase me impressiona, é até simpático falando. Mas, é impotente para nos representar e amorfamente inarticulável dentro do processo político do oprimido, um embuste apenas para comover sua confraria que tem os mesmos discursos e atitudes.

Sds. Jaime Baghá - Observando o amigo burguês e sua pantomima altruísta.

sábado, 26 de dezembro de 2015



EU VIVO ASSIM

Eu vivo assim em eterno transe, meio hermético porque gosto de assuntos profundos, “sou um homem de causas”. Quando o assunto me apraz sou um tagarela como Darcy Ribeiro, sem a pretensão de me comparar com o mestre. Eternamente envolvido com escritores, pensadores, poetas e todas as espécies de loucos, flertando com a literatura marginal, marxista, surrealista, absurdos, políticas e lutas.
Sou polêmico, sonhador e com a pretensão revolucionária de um Che socialista provinciano. Não gosto de ostentação e divulgar minha filantropia, meus atos de caridade e bondade são uma coisa singular. Quase todos os meus tempos disponíveis são dedicados à cultura, ao pensamento, à loucura dos questionamentos, à vanguarda e ao envolvimento com os movimentos sociais no mundo, observando o que o ser humano fez, faz e fará.
Não existe quase nada além da natureza e de estar na beira do mar procurando conchas e objetos que o mar leva para suas costas. Caminhar pela Mata Atlântica, observar estrelas, cuidar de plantas exóticas, parasitas, orquídeas e bromélias e colecionar tralhas antigas.
Gosto de ler tudo o que desafia o meu pensamento: uma possível explicação do mundo, as formas materiais, imateriais, as ideias novas e antigas. Viajo com os pré-socráticos, com Sócrates, Platão, Aristóteles, no renascimento de Petrarca e Giovanni e a maravilha do Iluminismo, o século das luzes, “sapere aude” a nova era iluminada pela razão (acho que não deu muito certo), a ciência e o respeito à humanidade.
Sou cético e sem interesse nos séculos de obscurantismo e ignorância, aprecio os dadaístas, os surrealistas, Breton, Dali, Buñel, a metafísica de Hegel, Heidegger, o existencialismo de Kierkegaard, Sartre, a afirmação de vida de Nietzsche e sentindo a revolta de Camus.
Sou um crítico social, um angustiado, solitário, quase um Gregor Samsa de Kafka, que no fim sofre muito devido ao salva-vidas de chumbo. Mando para o inferno a linguagem, a lógica e a consciência tradicional. Amo a loucura de Artaud e o absurdo de Beckett.
Vivo em função destes amores extremos e outros não muitos explícitos como: Deleuze, Foucault, Bacon, Kant, Paul Nizan. Gosto muito dos contemporâneos como o Sr. Habermas, Baudrilard, Chomski, Baumann (há, sou mais da modernidade sólida), olhando a era da informática e respeitando o pensamento de Paul Virilio e outros culpados pela minha inquietação que agora eu não lembro.
Adoro filmes Cult, diretores como Michael Haneke, Kieslowski, Tarantino, Woody Allen, Wajda, Scorcese, Kubrick, Wim Wenders, Hitchcock, Costa Gavras e outros do mesmo naipe. MPB, teatros, óperas, clássicos, um bom rock, um piano de Rachmaninoff e em especial um bom Jazz, de preferência um Cool de Miles Davis. Acompanho a política mundial (com uma visão brechtiana). Gosto do pop arte, pós-modernismo, geração beat, além da enorme emoção de flanar, colocar o pé na estrada. Tenho um espírito vagabundo, observador, lúcido, ácido, um senso sardônico de humor negro, apaixonado e creio que maldito por viajar por tudo isso.
Meu amigo me chama de Baudelaire, porque junta meus gostos por eternos conflitos humanos, dos mais sublimes aos mais sórdidos. Gosto dos simbolistas, por isso, não posso esquecer Rimbaud, sem deixar de lado Augusto dos Anjos. Porém, estes não ocupam o meu coração como o absurdo de Samuel Beckett. 
Gosto da poesia marginal de Bukowski, do lúgubre, do romantismo sombrio de Allan Poe, do impressionante, do além do além e do cotidiano de Mario Quintana. Tenho um coração cigano por gostar da aventura de ousar e ir a lugares de natureza exuberante e poucos tocados pela mão do homem. Gosto de viver perto do mar, ajudar o pescador a puxar sua rede, estar próximo das montanhas junto ao homem do interior com suas culturas e seus folclores, de uma fogueirinha na beira do lago contemplando estrelas e ouvindo o som do silêncio. Sou muito feliz por ter que carregar tudo isto até morrer, porém eu não poderia viver de outra forma. Odeio ser um homem comum e acho que tenho uns genes que veio do cromossomo de outro louco do passado.  Sou feliz pelo meu filho ter herdado este prazer da leitura e aventuras, só espero que não seja como eu: pobre e sonhador e algumas vezes esquecido.
Que ele não seja um burguês que vai para o exterior só para conhecer a Sorbonne ou a École Normale Superieure, estudar Derrida e não entender nada. Que não cave muito os subterrâneos das metrópoles, pois poderá conhecer o demônio das profundezas e quando der por si, vai estar velho escrevendo e relendo seus textos que deveriam ser mais mostrados quando jovem e não guardados em um baú.
Também não ser muito louco jovem demais, não viver entre láudanos e bebidas, saber dosar a liberdade (não sei se liberdade se dosa), para não ficar libertino e não cair na mesma sina dos habitantes dos subterrâneos. Saber e vencer, nunca saber e não ter, um marginal do sistema. Ocupar uma cátedra para não ser um poeta esquecido, para fugir do lugar comum. Até pode ser avaliado e criticado por um bom crítico, mas nunca por comuns e entre os comuns.
Ficar longe e combater a praga política das corporações que comanda e explora, do neoliberalismo e sua economia nefasta, das confrarias burguesas que saem as ruas com seus estandartes fascistas cuspindo ódio, da oligarquia estúpida que amordaça e mata o erudito. Nunca dê trégua a este vampiro que vive como uma sanguessuga nas costas dos pobres.
Minha cabeça tem 100 bilhões de neurônios e sobra muito espaço para toda a cultura do mundo, mas todos os 100 bilhões de células ficam sem ação quando o paralogismo da oligarquia com seu despotismo, com seu estado de exceção, afetam os hemisférios e calam tudo isso, esta é a praga, o câncer do autoquestionamento, da palavra. Só se pode viver com o livre arbítrio, sem limitações impostas pelos interesses, pela necessidade de poder político ou a predeterminação divina. Sem estes três modelos principais de conduta da oligarquia eu posso ser um sonhador, intelectual, ético e ser livre na minha sociedade. Esta oligarquia pode não me compreender, mas tem a obrigação de respeitar-me.

Jaime Baghá 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015


SEU DEMERVAL

Lá vem o seu Demerval
O que fait la morale
De bigode aparado
Cabelo Razor Part militar
Patapon, chauvinista
Fâmulo, conservador, cipaio
Neoliberal integralista
Dos abutres o lacaio
O infame da lista

Lá vem o seu Demerval
O hipócrita que se diz honesto
Habitual nos cultos
Tarado e incesto
As filhas de saias compridas
Sem nenhum desalinho
Mas seu olho pérfido
Adora olhar
As pernas da filha do vizinho.

Lá vem seu Demerval
Com atitudes canalhas
Controlador dos dízimos
Chama pobre de gentalha
Acólito perverso do templo
Com ares de honrado
Manipulador na política
Comprador de votos
Gosta do povo manipulado.

Lá vem o seu Demerval
Que sublima os corruptos
Dos enganadores do povo
Dos fabricantes de ignorantes
Assíduo nas confrarias
Amigo dos farsantes
Habitue das espeluncas imundas
Falso e mesquinho
Fanfarrão nos cabarés de segunda

Lá vem o seu Demerval
Secando o suor
Com seu lenço amarrotado
Com seu sorriso senil
Com um ar de tarado
Cumprimentando as meninas
Com sua pantomima zumbaia
Com um olho parado
E o outro agitado

Lá vem o seu Demerval
Com a intragável família
O que ora mais alto
Na primeira fila
Empertigado e fátuo
Os filhos coxinhas fascistas
A mulher maldizente
Nos hábitos sociais
Os primeiros da lista

Lá vem o seu Demerval
O orador furioso
Dono da moral e dos bons costumes
Matreiro, manhoso
Não aceita dúvidas
Quando contestado
Fica entre o macabro e o risonho
Quando atacado
Reage como um demônio

Lá vem o seu Demerval
O dono da “verdade”
Com seus rebentos feiosos
Escutando Skrewdriver
Ofendendo nordestinos
Como são quase maiorias
Neste circo fascista latino
Ganha a insana patologia
E ameaçam nosso destino

Aos Demervais que mentem nos palanques e tribunas, esbravejam nos púlpitos, saqueiam os dízimos, desfilam com estandartes e camisas amarelas para dizerem que são patriotas, enganam o povo, vendem seu país e terminam por criar um estado de exceção corrupto e perverso. Seu Demerval é um político fã da BBB, bíblia, boi e bala, bancada da bala, evangélica e ruralista e outros fascistas.
 Jaime Baghá  Para todos que,  desde menino, tiveram um vizinho Demerval para encher teu saco.


Nós vos pedimos com insistência
não digam nunca: 
isso é natural! 
diante dos acontecimentos de cada dia 
numa época em que reina a confusão 
em que corre o sangue 
em que o arbítrio tem força de lei 
em que a humanidade se desumaniza 
não digam nunca: 
isso é natural! 
para que nada possa ser imutável!

Bertolt Brecht



Dou o nome de Estado ao lugar em que todos, bons e maus, gostam de veneno. Vede, pois, esses que estão a mais! Adquirem riquezas e só conseguem tornar-se mais pobres. Esses impotentes querem o poder e, antes de todo o resto, a alavanca do poder, ou seja, muito dinheiro! Vede-os trepar, esses ágeis macacos! Sobem uns por cima dos outros e empurram-se para a lama e para o abismo.
Friedrich Nietzsche