domingo, 29 de abril de 2018


Brasil, atraso cultural na era digital

Sabe o porquê muitas vezes eu me torno um cara chato e até impertinente, é que sou muito maluco meu amigo, pelo fato de vivermos em um mundo onde uma multiplicidade de forças muito poderosas tem atuado sobre nós, uma delas são as corporações aliado a política e a mídia no grande controle. Aqui, a Globo é a vanguarda da imbecilização coletiva, marcando uma nação pela ignorância e pela prepotência da minoria reacionária. 
Como disse Mino Carta no seu edital, “Há tempos o Brasil não produz mais escritores como Guimarães Rosa, Gilberto Freyre, pintores como Cândido Portinari, historiadores como Raymundo Faoro, cultores da ironia como Nelson Rodrigues, jornalistas e repórteres como Cláudio Abramo e Rubem Braga, um dramaturgo e poeta como Ariano Suassuna,  O que restou foi Alfredo Bosi  que já passou dos 80, ou Chico buarque para quem alguns moleques perderam o respeito.

Do nascimento, passando pela escola, até o trabalho, tentam suprimir nossa individualidade, nossa criatividade e acima de tudo nossa curiosidade, em suma, destruir tudo que nos encoraja a pensar por nós mesmos. Todo cara que tenta ousar, mudar, que luta pelo diferente sofre a discriminação do socialmente correto, é a velha porra conservadora agora acomodada até nos partidos de esquerda. 

Até para os que se acham moderninhos num universo ordinário e de mau gosto, vão contaminando todo um país, condenando-o ao atraso, resultando num bando de riquinhos marrentos e pobres violentos nas metrópoles, dizendo as pequenas províncias interioranas, “sempre foi assim, porque mudar”?
Não muda nas escolas, nas mídias, o coletivo vai tentando ser celebridade (palavrinha infecta), e os “ídolos” e seus seguidores de cabelos engomados, bundas siliconadas e chapéus de cowboys americanos gritando “galera, mãozinha pra cima” para o povo rebanho.

Nossos pais querem que seus filhos ajam como as outras crianças da vizinhança; eles enfaticamente não querem um menino ou uma menina que pareçam “estranhos” ou “diferentes”, tampouco “condenavelmente espertos demais.” Mesmo porque, este esperto é o estranho, e numa província retrograda o cara é mais estranho ainda, se for um intelectual esta perdido, é um alienígena.

Então entramos na escola, um destino pior que a morte e o inferno combinados. Ao aterrissarmos em uma escola, aprendemos duas lições básicas: 1) Existe uma resposta correta para qualquer questão; 2) A educação consiste em memorizar essa única resposta correta e regurgitá-la nas “provas”. Toda a atenção é focada na fofoca do Facebook ou os olhos vidrados no celular mais moderno que podem adquirir.

As mesmas táticas continuam pelo ensino médio e, salvo em algumas ciências, até a universidade.
Através desta “educação” encontramo-nos bombardeados pela religião organizada. A maioria das religiões, no ocidente, também nos ensina a “única resposta correta”, as quais devem ser aceitas com uma fé cega; pior ainda, tentam nos aterrorizar com ameaças de sermos queimados após a morte, tostando e fervendo no inferno se alguma vez ousarmos pensar por nós mesmos, de fato.
 Viva o rebanho obediente! De um lado uma religião com festas, bebedeiras, escândalos políticos, financeiros e pedofilia; de outro, fanáticos pregando evangelhos aos gritos, descriminando tudo pedindo dinheiro, cartão de crédito com senha e até seu salário, na maior cara de pau, e o cara não pode ser chamado de vigarista, porque o rebanho imbecil dá com o maior prazer e ainda diz “ó glória”.

 No meio de tudo isso o inferno urbano, já chegando no interior para o espanto e desgraça dos nativos, transformando meninos em malandros da ralé, transformando a sociedade pacata numa turba, enquanto a “sociedade” burguesa e inculta se preocupa em sair nas colunas sociais de jornais, em colunas inexpressivas, numa ópera bufa sem preocupação com o social e a cidadania. Siliconadas, popozudas, MC'S mérdas e aquela desgraça “musical”, sertanojo, sambanejo, bonde do otário, que a orgia dos manés desfila nos seus carros (autojéca) cheio de alto falantes, como se teu ouvido fosse penico.
Ou você aceita a cultura do pode tudo, do que castra tudo, do que f... tudo, ou se acovarda, se vai querer mostrar coisas novas, educadas e cultural, não é bem-vindo. Como diz o Sr. Jean Baudrillard, “quero ver como toda esta orgia vai acabar”.

Depois de 18 a 30 anos de tudo isso, com grande dificuldade entramos no mercado de trabalho,  e aprendemos a nos tornar, ou a tentar nos tornar, quase surdos, mudos e cegos. Devemos sempre dizer aos nossos “superiores” o que eles querem ouvir, o que veste seus preconceitos e seus desejos fantasiosos. Se notarmos algo que eles não querem saber, aprendemos a manter nossas bocas fechadas, se não você esta fora. 

Houve uma época em que eu pensei que a tal juventude cabeça poderia mudar um pouco o quadro, mas, uma política golpista, de exceção, perniciosa, ditatorial, neoliberal, junto com um judiciário canalha, uma policia agressiva surrando jovens estudantes,  desmantelou o moderno de pensamento. Ainda temos alguns que fazem parte dos jovens que pensam diferentes, com classe cultura e uma alternativa de comportamento, não usa a nova tecnologia das redes apenas para bisbilhotice. 
São poucos, e temo que possam sumir, cada vez que vejo um acontecimento de massas com apresentações banais e na velha máxima grega de “Panis Et Circens”. Fico numa grande preocupação com pessoas que vivem ao meu redor,  felizes com estas confrarias. 

Vejo que estou ficando velho e cada vez mais longe do rebanho, mais solitário e com poucas expectativas.
Este rebanho humano começou com gênios em potencial, antes que a conspiração tácita da conformidade social enferrujasse seus cérebros. Todos eles podem se redimir dessa liberdade perdida, se trabalhar duro pra isso.
Eu trabalhei por isso por 40 ou mais anos até agora, e ainda acho partes de mim agindo como um robô ou um zumbi em algumas ocasiões. Aprender a “tornar-se o que se é” (como na frase de Nietzsche) leva o tempo de uma vida, mas ainda parece ser o melhor a se fazer, e eu fico tentando e torcendo, quem sabe alguma visão mais aguçada veja que pode haver uma luz no fim do esgoto e eu sobreviva para ainda ver uma sociedade mais moderna, instruída, civilizada e nossos jovens culturalmente mais ativos, porque o verdadeiro rebelde é o cara que ousa, que muda conceitos e estilos, mesmo numa província inculta.

O maior problema da ignorância não é a falta do saber, é rejeitar quem sabe, e o que é pior, pelos que pensam que sabem por que a massa lhes é favorável, esta mesma massa robotizada pela mesmice e cultura de televisão que levou o país a esta merda. Também chamam esta era de Época da Informação, porém, nos países chamados terceiro mundo vejo que a perplexidade e a crise de paradigmas se constitui num álibi para o imobilismo.

A praga é que tudo isto é tão manipulado por políticos gananciosos e neoliberais, (aquele neoliberalismo canalha que até Hayek e Von Mises diseram ser perniciosos para países em desenvolviemnto), políticos vende pátria e seguidores de conveniências, que quando eles abrem a boca para falar, eu fico pensando quanto tempo vai demorar. Minha esperança vem daquela máxima, “toda mudança social vem da luta e da paixão dos indivíduos, não conte com os políticos e governantes”. Por enquanto estamos no tudo deve mudar para que tudo fique como está, e é um fato muito triste para este cara metido a pensador, que insiste em não tirar o pé do underground e ser um maistream de merda.

  Jaime Baghá

quinta-feira, 8 de março de 2018

NA MINHA RUA

Na minha rua
Passam meninas soberbas
Velhinhas que murmuram sozinhas
E que um dia foram
Meninas de incertezas

Na minha rua 
Passam meninos atrevidos
Velhinhos de passos medidos
Que um dia foram
Meninos coloridos

Na minha rua 
Passam meninos gritantes
Velhinhos pensantes
De passos trôpegos 
Hesitantes

Na minha rua
Passam meninas vaidosas
Velhinhas tímidas
Cabisbaixas
Como tristes rosas

Na minha rua
Passam dois momentos
Da nossa existência
A juventude querida
E o purgatório da vida.

 Observando as fases da vida. – Jaime Baghá



NO LAR

No inverno aqueço a casa do interior alimentando o fogão de lenha, não penso poesias porque a Kim chora com cólicas de neném. A Mima canta canções de ninar e conversas de consolo, que a Kim não entende, mas compreende o amor e acalma, ai fica olhando com aqueles olhinhos de filhote, com um brilho de pureza dos pequenos seres. A Kim dorme no embalo dos braços, e eu escrevo a dor que passa. 
Inverno no pequeno distrito de Peroba, com uma neblina por todo o vale e pela frincha de minha janela eu vejo somente a cruz da igreja num fim de tarde cinzento. Alimentamos o fogão de lenha para aquecer a casa, o Jaiminho lê gibis na mesa e a Kim é embalada num balaio de vime em forma de meio ovo, suspenso no teto por cordas de náilon, ao menor movimento ele se move e embala seu sono, fica o  som noturno da roça  e das matas e a família passa mais um inverno na casa do interior. 
Nossa casa do interior - inverno 1995
Jaime Baghá


ESTRADA DO INTERIOR

A minha rua é uma estrada
cercada por morros
montanhas
com muito verde
de matas e agricultura.
A minha rua é uma estrada
com a magia do interior
com gente simples morando as margens.
A minha rua tem uma pequena igrejinha
um pequeno vilarejo.
A minha rua é uma estrada de nome saudade
para o colono simples
que um dia migrou para cidade.
A minha rua é uma estrada
com muitas vidas
com a minha vida.

Jaime Baghá


sábado, 8 de julho de 2017

INOCÊNCIA

A menina do interior
Com seu par agreste
Fugiu para a metrópole
Com todas as ilusões
Para sonhar e ver as luzes.

De menina a garota
Caminhar miúdo, compassado
Dançando sobre as avenidas
Nas noites eternas
Com vida, muitas vidas.

Muito louca, ficou mulher
Encontrou um amante
Astucioso, de fala mansa
Seu caso urbano
Cáften, profano

Quantos caminhos e desvios
Menina do interior
De olhar vazio
De sonhos e luzes
Você vai cruzar, penar

Um dia perdida
Só e dividida
Voltará ao interior
Mulher e falada

Para tentar sonhar
Viver, amar e sofrer
Calar, consentir
Obedecer e morrer
Com um novo par
Que nunca viu as luzes.

Para algumas esta é a história do êxodo rural para a metrópole e a volta.  Jaime Baghá.

CONVERSA COM O PRIMO

Eu sou a menina
Do cantinho do interior
Que sorri a malícia
Cercada de inquisidor
Menina e mulher
Transa e amor
Fuga para a capital
Aqui ou lá
Tudo igual
Eu sou a mulher
Deste canto
Brega moderno
Faço tudo que eu quero
E tu com isso
Santermo.

A busca da independência que muitas vezes transforma-se num cárcere.  Jaime Baghá

Pablo Picasso - Le Poète
A MALTA E O POETA

Oculto para ouvir clássicos
Solitário em minhas óperas
Longe da chalaça ativa
Da grande orgia nativa
Vivem de prato e bispote
Pandulho cheio e mente vazia
Plutocracia de dotes
Suprimindo a poesia
Alguns urbanos vivem assim
Em eternas futricas
De intrigas e rezarias
De grandes ostentações ridículas
Se amassem arte e vida
O poeta absolveria
A loucura coletiva

Há uma minoria de arruaceiros que se denominam “bem nascidos” que infernizam o pequeno paraíso.  Jaime Baghá

O Idiota - Fiódor Dostoiévski


“SÁBIOS” CONSERVADORES AO MEU REDOR

De onde provém o teu conhecimento, das literaturas, dos centros de ensino, de uma família educada ou de uma vida de lutas para o conhecimento?  De onde vem a tua cultura, será desta tradição de famílias que vivem na ansiedade do status e que tem uma formação viciada moldada pela informação da mídia, que sempre colocou tiranos no poder, que gosta do aconchego de políticos conservadores, falsos e corruptos, que compram o poder e banalizam a amizade com tapinhas nas costas. De onde vem o teu conhecimento, imbecil, patético farrista de confraria, você só contesta e briga por aquilo que foge da tua compreensão, você é o falso que elege e cria imbecis e nos impõe a um atraso secular. Você não é nada, só come e caga, tua existência não tem significado, és o estorvo que me custa caro.

"É melhor ser infeliz, mas estar inteirado disso, do que ser feliz e viver como um idiota".  Dostoiévski

segunda-feira, 7 de novembro de 2016


 “QUEM SABE EU TE ENCONTRO DE NOITE NO BAXO”**

Eu e meu amigo
Vivemos o melhor da vida
Após perda da inocência
Viramos ave da rapina
Águias
Havíamos cruzado um caminho
Adolescência
Paixões, desilusões
Coisas de meninos

Passamos as dores
Inocentes amores
Chegamos a pré-ideia adulta
Aprendemos a loucura
Sonhar, amar
Cabelos longos ao vento
Livres
Viagens e festas
Jovens reunidos
Caminhantes da beira do mar
Em risos soltos
Sem dores pra chorar.

Que saudades do apartamento
Velho sobrado encima do café
O AP do Baxo
Onde reunimos amigos
De guerra,
Festa e fé
Nosso point
Recôndito
Nosso lar
Solar de encontros
Encantos
Lugar de repouso
Esbórnia e sossego
Templo de meditação
Amigos de fuzarca
Risos por toda a noite
Sopa para curar a ressaca.

O melhor da vida
Encontro das namoradas
Amantes queridas
Perdidos e perdidas
Sonhos e cânhamos
Espumantes geladas

Há, nossa pós-inocência
Magnitude
Doce momento da juventude
Que ao descrever chorei
Pelo desaparecer
Por intensamente viver
Reviver
Feliz por passar
E nunca esquecer.
 Ao Maneca e também para os(as) queridos(as) amigos(as) de festas, de mares, de rock e carnavais, de estradas, acampamentos e fogueirinhas de papel. Khan, Didio, Eninho, Lucinha, Aurinha, Verinha, Nara, Rê, Flávia, Carminha e outros(as) que esporadicamente  compartilhavam a companhia.
Beto e Élder (in-memorian)
 ** Élder usou a frase de uma canção de Caetano para definir os encontros no velho sobrado, “quem sabe eu te encontro de noite no Baxo”, Baxo era o meu apelido entre os amigos mais íntimos.
 Jaime Baghá, com saudades.

domingo, 10 de julho de 2016

Terraço do Café na Praça do Fórum - Van Gogh

NOITES

À noite eu sonho adormecido
Mas já sonhei acordado
Olhando as luzes de néon
Caminhando nas noites
Onde respirava vida.

Na louca alegria soturna
Nos bares, nas esquinas
Entre almas noturnas
Onde anjos e demônios
Andam na mesma bruma.

À noite e seus segredos
Sempre a desvendar
Com máscaras sem endereços
Onde queria me perder
Para me encontrar.

Festa em Mahagonny
Onde muitos não têm nome
Entre o devasso e o sério
Das luzes e dos mistérios
Até o triste arrebol.

A noite mistura odores
Caros e baratos
Simples e elegantes
Loucos e lúcidos
Tudo no mesmo prato.

Embaixo da luz caída
Festa de subterrâneos
A noite é simbolista
Onde formas, silhuetas e bosquejos
Dividem a mesma pista.

A noite é novidade
Dos oportunos e desconhecidos
É o outro universo
Da vida que o dia não mostra
A Agharta dos perdidos.

A noite tem muitas faces
É o paraíso de quem sonha
E quando escurece
Nas luzes da babilônia
Outro mundo acontece.

A noite é o místico
Dos labirintos das metrópoles
Dos doces e malditos
Onde agito vivo e ardo
E onde todos são pardos

Aprendi a viver a noite
Das trapaças e logros
E seu delicioso jogo
Assim como Leminski
Fiz-me senhor do fogo.

A cantora é melancólica
O pianista virtuoso
A bailarina hiperbólica
O jazz toca para as almas
O rock é diabólico.

A noite dos inocentes
Dos anjos histéricos
Procurando uma dose
Para aplacar a dor
Para ativar a ira
Para falar de amor

A noite de muitas vidas
Do menino que sonhava
Hoje velho
Estrutura combalida
Vivendo as lembranças
Dos sonhos que sonhava
Nos caminhos da noite
Aonde eu me perdia
Onde eu me encontrava. 

Jaime BagháCom saudades de se perder nas noites.

domingo, 5 de junho de 2016



DÉJÀ VU

Eu ando pelos desvios
Padeço e sobrevivo
Feito cachorro vadio
Não programo meus caminhos
Não traços objetivos
Para não ter de aturar
Elogios familiares
E um babaca empertigado
No meu túmulo discursar.

Não quero ser o exemplo
Queria ser vagabundo
Aproveitar meu pouco tempo
Caminhando pelo mundo.

Sou o Cândido de Voltaire
Nesta miséria humana
Sou o que nada quer
E quem me quer me engana.

Sou o miasma
Que o sangue medra
Louco da divina comédia
Paria dos sociais bandidos
O que na vida anda perdido.

Eu observo os homens
Razão por não querer ter nome
Racional de paixão incompleta
Que me faz maldito poeta.

Eu sou o nada
Uma trapaça
Não quero a grande farsa
Arranco a minha máscara
Exponho a minha carcaça.

Não sou o que machuca o mundo
Que adora o deus absurdo
Que mata a própria espécie
Ora para a utopia
E no paraíso padece.

Sou dos meus iguais o inviso
Senil que não perdeu o juízo
Sem apegos aos objetos
Porque morre e vira dejeto.

Sou o engano
Profundamente humano
Que sofre por ser
Não ser
O que vê
E não quer ver
O não sei...
Eu
O ser...
 Jaime Baghá  - procuras!

Adoro esse olhar blasé que não só já viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.  Cícero






domingo, 15 de maio de 2016


Dançando um Jazz
 Queria estar com você
Dançar “Smoke Gets In Your Eyes”
Como num filme de Woody Allen
Ninguém por perto
Lugar deserto
Num balançar
De passos certos
Paradas e voltas
Cadenciadas
Livre e leve
Como ensaiadas
Olho nos olhos
Sensual
Na beira do mar
Como se tudo
Nunca fosse acabar. 

Jaime Baghá   -  Noite de Jazz, frente ao Bar do Zado no mar da Ferrugem.

sábado, 16 de abril de 2016


O DURO CAMINHO DA DEMOCRACIA
A proposta da direita na sua dura tarefa de se opor ao que esta dando certo é entregar nossa economia ao sistema neoliberal. Ou seja, aumentar os juros da dívida pública e o superávit primário para atender ao secular setor rentista deste país, para depois reduzir salários e os benefícios previdenciários e flexibilizar os contratos de trabalho, destituindo direitos. Haverá privatizações, aumento de tarifas públicas e cortes no orçamento das políticas sociais, abrindo espaço para as empresas privadas ampliarem sua presença no setor. Como anunciado, o novo governo neoliberal para alegria dos entreguistas, assinará tratados de livre-comércio para internacionalizar nossa economia, isto é, abrir o mercado brasileiro ainda mais para as grandes corporações transnacionais, destruindo a indústria nacional como sempre foi feito. Neste caso temos duas direitas, a dos lobos que lucra e a dos imbecis que vão atrás da propaganda enganosa, admirados com aquele homem que se mostra como inteligente, um artífice da família e dos bons costumes. Desde a antiga e rancenta UDN nós vimos pobres tolos e manipulados dando viva ao carrasco.
Eles ainda hoje estão aqui e em maior número, são os pseudos pensantes que desfilam imponentes com seus ódios fascistas, com vivas ao Sr. Friedrich Hayek e o Sr. Ludwig Von Mises, austríacos (aqueles adotados por Reagan e Thatcher na década de 80), defensores do liberalismo clássicos. Mises foi aquele que disse: “o fascismo era o salvador da cultura ocidental”. Estes tupiniquins tolos têm até “filósofos” e grupos chamados Olavettes, que seguem um mistificador barato mestre em escatologia chamado Olavo ou gente que aparece na lista da empresa de “inteligência global” Stratfor, conhecida como “the Shadow Cia”. Estas pessoas e seus grupos são financiados por corporações americanas que atacam direitos indígenas, depredam ambientes e tem um grande interesse na Petrobras, como os Irmãos Koch, que se divertem dizendo que fazem parte da maior campanha do qual você nunca ouviu falar. Estes manipulam jovens tolos brasileiros, fazendo alegria dos vendedores da pátria, representados por uma boa parte dos “políticos” brasileiros, que tem como função manter o país uma colônia, incapaz de fabricar um tubo de pasta de dente, pois, 80% do que temos num supermercado não é nacional, pertencem as multinacionais.
Deveríamos ter aprendido, pois já tivemos um governo neoliberal no Brasil e em vários países da América Latina que seguiram o “Consenso de Washington” e sua proposta de retirada do estado da economia, com abertura econômica, privatizações de estatais e desregulamentação da economia, criando uma sociedade intolerante e reacionária, foi a intervenção do estado contra o bem estar social Keynesiano. Não se importaram estes reacionários que esta situação não funciona em países não desenvolvidos, porque reduz a intervenção e o controle do estado, desta forma o estado nacional perde poder e se torna vulnerável ao capital especulativo e as multinacionais. E o que aconteceu, em pouco tempo instalou-se a crise econômica e social nestes países como o Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, etc...
Apesar de todas estas dificuldades, mudou a política e o brasileiro passou para melhor do que antes, há mais empregos, seu salário melhorou, as políticas sociais melhoraram, um número muito superior de pessoas ingressou nas faculdades. A novidade não esta no andar de cima, com seu consumo de elite, a novidade esta no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa, gerando emprego e bem-estar, esta situação implicou na redução do ganho dos rentistas que especulam e ganham sem trabalhar. Neste caso a economia vai mal para quem? Para os mesmos especuladores entreguistas de sempre que só querem ganhar com papéis.
É a luta do liberal versus o desenvolvimentista, os valores do estado mínimo versus o do Estado de bem-estar, esta turma do bem estar não esta feliz porque na virada deste século o Brasil teve importantes progressos sociais com distribuição de rendas, diminuiu as desigualdades sociais, aumento de consumo das famílias e redução da miséria extrema. Tivemos um grande aumento de empregos formais, a taxa de desemprego caiu de e o valor do salário mínimo aumentou mais de 70% acima da inflação, os gastos com educação dobraram. Todos esses foram fatores determinantes para a redução das desigualdades sociais.
A economia cresceu e simultaneamente distribuiu renda, fato inédito nos últimos cinquenta anos.  Caminhou-se no sentido da construção de um modelo econômico menos perverso que o padrão histórico do Brasil. Foi aberta uma nova etapa de lutas contra a doutrina neoliberal, mas apesar disso o Brasil esta muito aquém de superar e virar a página do neoliberalismo e acabar com o entreguismo histórico, motivo pelo qual esta aí um número vergonhoso de golpistas levando o país para um retrocesso.
Perry Anderson, professos da UCLA (Universidade da Califórnia e editor da New Left Review), sinaliza que o neoliberalismo segue aprofundando seu poder no mundo, mas os governos progressistas da América do Sul mostraram uma esperança que não existe em nenhum outro lugar e em sua visão, o Brasil estava na linha de frente desse processo de abrir frestas no contra fluxo da ideologia perversa e mundialmente dominante. 
Para alguns que pensam que as bolsas famílias vêm de governos socialistas ou de programas elaborados por economistas de esquerda estão muito enganados, isto vem das chamadas CCT (conditional Cash Trasnfer Programs), este programa tem caráter liberal clássico. Estas “garantias’ de rendas mínimas” foram propostas inicialmente por Frederich Hayek (premiado em economia mundial), economista da Escola Austríaca, e posteriormente por Milton Friedman, americano, teórico do liberalismo econômico e respeitado economista do século XX (o certo é que Milton preferia a caridade, mas, o programa não deixava dúvida da sua eficiência). Com o neoliberalismo estes programas serviram como um campo de provas em muitos países da América Latina e hoje estão em mais de trinta países em outros continentes, segundo o Banco Mundial, porém a grande vedete foi o programa brasileiro. Diante da vitória da ideologia é preciso encarar o óbvio, programas dessa natureza aliviam as situações críticas de vulnerabilidade e fome.
Mesmo com o sucesso dos planos nas quais os neoliberais torcem o nariz, o Brasil ainda permanece entre as vinte nações com maior desigualdade de renda do mundo. A secular concentração de riqueza no campo brasileiro continua intocada e o tema da reforma agrária ainda é atual. Ainda é muito complicada a luta contra desmatamentos, preservação de reservas indígenas e exploração de todos os lados, e ainda empurrar esse imenso paquiderme chamado governo, carcomido por interesses de grandes grupos agarrados por todas as partes. É um eterno cavalo de batalha contra a corrupção, que a direita cinicamente e de vez em quando apresenta propostas de dar vergonha.  Que soberba lição de ética nos deu Jânio Quadros com sua “vassourinha”, os carrancudos militares na sua ditadura controlados pelos grupos financeiros, o caçador de marajás de Alagoas e Fernando Henrique Cardoso que implantou a nefasta política neoliberal e suas privatizações. A direita, para travar os avanços, apela para elevados sentimentos de ética, procura culpar o outro e tapar o sol com a peneira de seus grandes roubos, o que pode gerar confusão no tolo tradicional e inflamado pela mídia comparsa, fazem barulho, mas não constroem alternativas, sua alternativa é sempre o golpe na democracia.
O número de municípios no Brasil com IDHM (índice de desenvolvimento humano), passou de 0 para 134 e atingiu 1993 municípios. A esperança de vida ao nascer passou de 64,7 para 73,9 os saudosos da ditadura, entreguistas e o pessoal da mídia golpista e da oposição tem hoje em média dez anos de vida a mais para protestar contra a democracia. A educação na porcentagem de adultos com mais de 18 anos que tinham concluído o ensino fundamental, passou de 30,1 para 54,9 já a população mais jovem passou de 13% para 41%. A renda mensal per capita, passamos de 0,647 para 0,739 no período que representou um aumento de R$ 346,00. Isto é pouco para quem tem muito, mas, para uma família pobre de quatro pessoas, aumentar em mais de R$ 1000,00 a renda muda muito a vida.
Entre os países dos Brics, o Brasil apresenta o perfil de progresso social mais forte e equilibrado e por incrível que pareça os Estados Unidos estão recuando para uma maior desigualdade nos últimos anos, gerando danos ambientais muito elevados. Enquanto isso o Brasil progrediu, o que explica os números muito semelhantes da tabela: 75,96 para os Estados Unidos e 75,78 para o Brasil. O Brasil caminha hoje na redução da desigualdade enquanto o mundo esta atingindo limites insustentáveis, esta é a razão do imenso sucesso do livro de Thomas Piketty (e o segredo dos ricos), economista francês que se tornou destaque no meio acadêmico internacional com seu livro “O Capital no século XXI” (vide meu blog (www.devaneiosdobagha.blogspot.com)”.
Vergonhosamente temos a notícia de que 85 pessoas acumularam mais riqueza do que a metade mais pobre da população mundial e a revista Forbs mostram os principais bilionários brasileiros e a origem de suas fortunas. São banqueiros com concessões públicas, com carta patente para trabalhar com dinheiro público, donos dos meios de comunicação, amparada por governantes de sua escolha e protegendo suas falcatruas,  construtoras que trabalham com contratos públicos nas condições que tão bem conhecemos,  exploração de recursos naturais  que mais extraem do que produzem.
Este é o país que vivia em crises financeiras e de maneira rotineira fazendo acordos com o FMI para evitar a quebra de sua economia. Mas, a partir dos anos 2000 o Brasil passou de devedor para credor do FMI, tendo resolvido o problema da dívida externa que implicava deslocar ao exterior parcelas dos fluxos de renda interna gerada. 
Esta diferença no desenvolvimento não é uma visão de técnicos e economistas da América Latina, isto tem o apadrinhamento de Michael Porter, professor da Harvard Business Scholl que tem interesse nas áreas de Administração e Economia, com diversos livros sobre estratégia e competitividade. Muitos destes dados que ora escrevo são da publicação do Le Monde Francês e outros jornais e revistas de jornalistas independentes, outras literaturas e dados do professor de economia da Unicamp Eduardo Fagnani e do professor e economista da PUC-SP e consultor de várias agência das Nações Unidas, Ladislau Dowbor .
Acho que com todas estas informações com figuras de renomes internacionais, coberto da maior autoridade, clareza e uma verdade inconfundível das informações, mostram claramente a nossa situação.  Logicamente que eu e todos os brasileiros de baixa renda sentiram e viram a significativa mudança em nossas vidas. Se não houver mais mudanças poderemos trocar a cada quatro anos, sem tentar colocar defeito só porque uma minoria de sanguessugas da sociedade quer que exista defeito para se autobeneficiar. 
Fico pensando como pode ainda uma grande parcela da sociedade deixar se manipular, ser comparsa de um golpe no país, insistir em colocar no poder pessoas sem nenhum  caráter e comprometimento com a nação. Alguns eu sei que é por ignorância e outros por conveniências, porém sonho com o dia em que a unanimidade ache o caminho certo para que todo o processo tenha um impulso mais sólido, para nos livrarmos dos grupos vende pátria, empresários manipuladores e suas confrarias, multinacionais e corporações criminosas, juízes de mau caráter com suas togas conspurcadas, policiais covardes, comparsas de políticos mau caráter, meios de comunicação gananciosos, foras da lei a trabalho de um crime organizado posando de elite. Se nos livrarmos desta peste saída de um conto de Camus, poderemos sonhar viver e ver o Brasil realmente como uma grande e próspera nação. 
Jaime Baghá
País cruel e ingrato com os seus filhos que não são hijos de puta. Explico-me: o Brasil maltrata e despreza quem pensa e atua a favor do seu povo. Em contrapartida elogia, badala, paparica, consagra o venal, o canalha, o picareta, o escroque, o vende pátria”. Gilberto Felisberto Vasconcellos

quarta-feira, 16 de março de 2016



O que pode a arte num mundo fascista

vivemos numa ferida aberta.
somos os pequenos vermes de deus.
vivemos em guetos que deveriam ser comunidades,
campos de extermínio do corpo e da consciência
que deveriam ser hospitais e escolas.
vivemos em bunkers
que deveriam ser casas, encaixotados antes de morrer
ou admirando gramados amplos com nossas visões estreitas.

a guernica de picasso foi ampliada,
escapou da tela, ganhou o mundo.
moramos dentro de guernica,
e o bombardeio não para.
touros gritam, cavalos enlouquecem, vulcões acordam,
corpos são despedaçados, prédios queimam,
pássaros morrem,
o tempo todo mulheres choram sobre filhos mortos.

o tom geral é cinza,
a noite impera,
violenta.

há sempre um sujeito
que entra pela porta com uma lâmpada na mão
e ilumina a cena.
o que ele segura firme em sua mão é a arte.
eis o papel da luz: iluminar.
deixar ver, não ocultar o monstro.
e o monstro somos nós e nossos nós.

falamos de nazismos e de fascismos
como ficções doutro tempo
só pra esconder
o óbvio de que estamos dentro dele.

nós fizemos e fazemos todo dia esses fascismos.
levantamos muros contra os outros,
fingimos não ver os muros que levantam contra nós.
fingimos não ouvir o carregamento de pedras chegando.
fingimos não ouvir os pedreiros trabalhando, gritando,
e todos os ruídos que vêm de fora.
fingimos, fingimos: não somos poetas.

usamos no braço direito uma estrela,
no esquerdo uma suástica.
e não sabemos.

ferimos mulheres crianças negros índios
cães surdos cegos velhos gays
lésbicas fanhos albinos
e de vez em quando alguém com um sotaque esquisito.

ferimos qualquer signo que nos estranhe,
qualquer signo áspero
que não seja música aos nossos ouvidos.

ferimos o passado e o presente,
ameaçamos o futuro a cada novo dia.

ferimos a possibilidade da liberdade alheia
com nosso direito falso,
nossa falsa filosofia e a pirotecnia falsa
do que deveria ser literatura, cinema, poesia, música.

covardemente maquiamos o monstro,
escondemos o horror, fingimos não haver guernica.

nosso medo granítico não deixa a luz passar.
mas lá está o sujeito com a luz na mão,
ele entra pela porta sem pedir licença,
sem pedir licença ilumina o inferno.

eis a função da luz: revelar. re-velar.
iluminar de novo e de novo, fazer re-ver.
para isso, para nada.
porque mais vale o inútil do fazer
do que o inútil do não-fazer.

arte como instinto puro.
casamento pleno do sublime com o grotesco.
sem cartilhas ou regras.
sem travas, sem papas, sem línguas.

a arte não possui função social.
a função da arte é essencial.
é ser o que só ela pode ser,
a última trincheira.
comunicação entre essências,
comunicação duma nova experiência.

a arte sobrevive à mudança de políticas,
mudanças linguísticas, ideológicas.
quando todas as opiniões passaram
ela permanece.
quando os sonhos absurdos e ridículos do artista já morreram
o que o atravessou permanece vivo.

os poemas nas cavernas.
a capela profana de michelangelo.
os fractais de picasso.
os noturnos iluminados de chopin.
a flauta carbônica de maiakóvski.
o ronco baixo de gregor samsa.
a jangada viva dos mortos de alberto lins caldas.
a terra desolada.
yorick na mão de hamlet.

tudo extremamente humano e revelador e necessário.
consciência trazida à tona,
revelação duma experiência única.

re-ver. re-ter. re-ler.

a função da arte não é social, é essencial.
não comunicar ideologias do momento.
não repetir o senso comum da pobre mídia rica.
não reduplicar memes mentiras memórias.
não assoviar enquanto dilaceram corpos na esquina.
não apagar a chama antes de entrar na sala.
não ajoelhar e ruminar a cantilena junto com a manada.
não acreditar no sentido do cardume.
não concordar com o cardume.
não acreditar que exista o cardume.
não podemos nos dar o luxo de pararmos de criar.
não podemos nos dar o luxo de não iluminar o inferno.

o sincronismo não nos dá esse bônus.
o monocromatismo do cardume é fascista.
o monocromatismo do cardume
é o que desejam os assassinos de rimbaud e de van gogh.
o monocromatismo do cardume é menos desejável que a morte.
deixar ver é a função da arte.

ensaiar um ensaio sobre a cegueira.
estudar a anatomia da máquina tribal.
olhar para trás enquanto se caminha
e ver a paisagem se desfazendo sem o nosso olhar.

somos máquinas de significação.
mas o que significamos
deve ter o selo da indignação.
não perder o tom da indignação, o dom da indignação.
não se perder na pirotecnia e nos conchavos do cardume.
não se perder
nas políticas misticismos modismos
e outras quinquilharias invasoras.

a função da arte é essencial.
ressignificar.
dar ao outro a possibilidade de ver.
permitir ver.
inventar linguagens.
fazer poesia depois de auschwitz.
a poesia só é possível depois de auschwitz.
fazer poesia porque auschwitz.

não repetir, não submeter ou submeter-se,
não ruminar a ladainha, não dizer amém.
inventar linguagens,
plantar sementes de linguagem,
inventar línguas.
iluminar o inferno,
o grotesco, o injusto, o totalitário,
o monocromatismo do cardume.

tocar enquanto o prédio desaba.
tocar enquanto afunda o barco.
todo barco afunda.
todo prédio desaba.
tocar enquanto há dedos.
iluminar enquanto há olhos.

não perder a capacidade de se indignar
e ver as dilacerações do mundo.
para isso, para nada.
porque sim.
porque é belo
e é grotesco.

porque guernica cresceu e devorou o mundo.
porque talvez o mundo sempre tenha sido guernica.
porque talvez o mundo ainda não tenha sido, nascido, aflorado.

o artista com o fogo roubado dos deuses.
o artista com a loucura necessária.
o artista com a chama
já lhe tocando os dedos os olhos a língua.
o artista como aquele que revela a cena.
não o maquiador do monstro.
não o camareiro dos idiotas de plantão.
não o subalterno lambedor de botas.
não o funcionário da burrice prepotente.
não o afiador de facas do torturador.
não o estilista do capeta.
não o tocador de realejo da praça de guerra.
não a manicure do carrasco.
não o advogado da perfídia.
não o coçador de costas oficial do filho da puta do momento.

o artista sem momento.
o artista sem patrão e sem limites.
o artista simplesmente
como o sujeito que entra de repente e ilumina a cena e revela a máquina
monstruosa triturando tudo.
porque sim. por que não?

construímos guetos
e muros de medo em volta de guetos.
construímos campos de extermínio do corpo e da consciência
como se não houvesse dor suficiente.
habitamos bunkers e afiamos facas
sonhando com a carne alheia,
admirando gramados amplos com nossas visões estreitas.
vivemos numa ferida aberta.
somos os pequenos vermes de deus.
somos deus – esse pequeno verme.
mas lá vem de novo o sujeito com a luz na mão.
ele entra sem pedir licença
e ilumina a cena.

Carlos Moreira

Sds. Jaime Baghá Para um amigo fascista que na ignorância pensa que é libertador.